Gigantes da mineração voltam à mesa de negociações: Rio Tinto e Glencore retomam conversas sobre fusão.
O cobre emerge como recurso crítico em meio à transição energética e ao boom da inteligência artificial.
Em um contexto de transição energética global e demanda impulsionada por inteligência artificial, o cobre está se tornando um recurso estrategicamente vital. Segundo o Financial Times, as gigantes da mineração Rio Tinto e Glencore retomaram recentemente as negociações de fusão. Analistas sugerem que esse possível acordo reflete uma recalibração da escala e do controle de recursos por parte das mineradoras, em meio às expectativas de crescimento da demanda por cobre a longo prazo. No entanto, as reações do mercado foram cautelosas, com as ações da Rio Tinto caindo mais de 5% na Bolsa de Valores da Austrália.
Na quinta-feira, horário local, o Financial Times noticiou que as duas gigantes globais da mineração haviam retomado as negociações após o colapso das discussões anteriores, há cerca de um ano. Ambas as empresas confirmaram separadamente que estavam em conversas preliminares sobre uma possível “fusão de partes ou da totalidade de seus negócios”, que poderia incluir uma transação integralmente em ações. Pouco depois da publicação da reportagem, no entanto, elas enfatizaram que nenhum acordo estava garantido.
Fontes internas observaram que, no cenário atual, a Rio Tinto, maior empresa do setor, poderia adquirir a Glencore, embora a estrutura ainda não esteja clara — inclusive se a divisão de comercialização de commodities da Glencore faria parte do negócio. Se concretizada, a transação criaria um gigante da mineração com um valor de mercado superior a US$ 260 bilhões, evidenciando a crescente corrida pelos recursos de cobre.
Essa mudança ocorre após a recente fusão "sem prêmio" entre a Anglo American e a Teck Resources, que pressionou concorrentes como a BHP e a Rio Tinto a expandirem seus portfólios de cobre. A Glencore, por sua vez, reformulou sua estratégia para o crescimento da produção de cobre, com seu CEO declarando no ano passado que a empresa almeja se tornar a "maior produtora de cobre do mundo". Atualmente classificada em sexto lugar globalmente, a Glencore planeja quase dobrar sua produção anual para 1,6 milhão de toneladas até 2035.
Nos últimos seis meses, as ações da Glencore subiram cerca de 35%, impulsionadas pela alta dos preços das commodities e por sua estratégia para o cobre, enquanto as da Rio Tinto registraram ganhos de mais de 40%. Os preços do cobre continuam a subir, com os contratos futuros de três meses na LME ultrapassando US$ 13.000/ton esta semana, antes de fecharem em US$ 12.720,5/ton durante a noite.
Em um relatório divulgado na quinta-feira, a S&P Global alertou para um iminente "salto estrutural" na demanda por cobre, impulsionado pela transição energética, infraestrutura de IA e necessidades econômicas essenciais — em um contexto de oferta limitada.
Daniel Yergin, Vice-Presidente da S&P Global:
“A demanda global por cobre aumentará em cerca de 50%, principalmente devido à aceleração da eletrificação. Até 2040, o consumo mundial de eletricidade deverá aumentar em cerca de 50%.”
A S&P prevê que a demanda anual de cobre proveniente de data centers aumentará de aproximadamente 1,1 milhão de toneladas em 2025 para cerca de 2,5 milhões de toneladas em 2040, enquanto a demanda global total crescerá de 28 milhões de toneladas (2023) para 42 milhões de toneladas (2040). Sem uma “expansão significativa da oferta”, o déficit poderá chegar a 10 milhões de toneladas em 2040 — quase um terço da demanda atual.




